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Da “escutoterapia” do Papa Francisco a uma Pastoral da Escuta

Notícias da Província

05.02.2021 - 04:00:03 | 4 minutos de leitura

Da “escutoterapia” do Papa Francisco a uma Pastoral da Escuta

| Frei Danilo José Janegitz | O Papa Francisco desde que iniciou seu ministério está nos convidando a uma pastoral de acompanhamento que possa responder às necessidades do homem e mulher de hoje. Na Evangelii Gaudium n. 171 nos fala da necessidade de um acompanhamento que seja fundamentado na arte de escutar, mais do que ouvir, já que ouvimos bastante e pode ser que escutemos pouco. No Sínodo dedicado à juventude aparece a preocupação por uma pastoral de escuta e acompanhamento. Por isso o Papa na Exortação Apostólica Pós-Sinodal, Christus Vivit n. 244, nos fala da importância de uma pastoral de acompanhamento e escuta. Precisamos, segundo o Papa Francisco, de pessoas que sejam expertas e dedicadas ao acompanhamento, e diz que é necessário preparar consagrados e leigos, homens e mulheres, que estejam qualificados para o acompanhamento dos jovens, e fala de um reconhecimento institucional para o serviço eclesial nesse sentido.

O Papa nos fala que o primeiro passo do acompanhamento é escutar, e a escuta supõe três sensibilidades ou atenções distintas e complementárias: a pessoa, e isso implica uma escuta atenta e desinteressada; a segunda é a sensibilidade ou atenção do discernir, que busca compreender a pessoa; e a terceira é escutar os impulsos, a meta para onde a pessoa quer ir, tendo em conta aquilo que o Senhor lhe pede, não apenas o que gosta.

Interessante o exemplo dos discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35). O Senhor caminha com os discípulos no caminho que era de direção oposta à direção correta, escutando-os, doando seu tempo, de modo que os discípulos oferecem hospedagem e aí nesse encontro casual, há uma experiência profunda de Deus. Diz o Papa: “Esta escuta atenta e desinteressada mostra o valor que tem para nós a outra pessoa, independentemente das suas ideias e opções de vida” (CV 291).

Encontramos muitas expressões interessantes que nos traz o Romano Pontífice sobre a necessidade de uma pastoral de escuta ou acompanhamento, que por questões de espaço não vamos explorar. O que queremos é sublinhar nessas poucas linhas que o Papa nos está convidando a colocar mais atenção em uma pastoral da escuta, como um ministério da Igreja.

 Por último queria citar o discurso do Papa no México que nos fala da necessidade da escutoterapia como remédio para quem se sente perdido ou que caiu no meio do caminho e precisa de uma mão para levantar. Acredito que Francisco está nos pedindo ir além, e com atenção ouvir mais as pessoas, não nos centrar somente em distribuir os sacramentos de forma automática, mas considerando o processo de cada pessoa. Isso demanda que formemos de maneira consistente nossos leigos e também sacerdotes, como já se está fazendo em alguns contextos do Brasil e outros países para uma pastoral de escuta, que acolha todo aquele que precisa de acolhida e de discernimento para seguir seu caminho de fé. Diz o Papa de maneira muito carinhosa aos jovens: “Se vem um amigo ou uma amiga que escorregou na vida e caiu, oferece-lhe a mão, mas oferece-a com dignidade. Coloque-se ao lado dele, ao lado dela, escutando-lhe, não diga: ‘tenho aqui a receita’. Não! Como amigo, devagar, ofereça-lhe força com suas palavras, ofereça-lhe força com a escuta, esse remédio que se vai esquecendo: a escutoterapia. Deixa-lhe falar, deixando que lhe conte, e então, pouquinho a pouquinho, te vai oferecendo a mão, e você o ajudará em nome de Jesus Cristo. Mas se você vai de uma vez e começa a pregar, falar e falar..., pobrezinho, você vai deixar ele pior do que estava, está claro?”.

Por isso é fundamental resgatar a mística do encontro que se traduz na capacidade de escutar aos demais, buscar juntos um caminho, um método, deixando-nos iluminar pela relação de amor que acontece na Santíssima Trindade, modelo de toda relação interpessoal como afirma o Papa na Carta aos Consagrados no ano da Vida Consagrada (Carta às pessoas Consagradas I, 2).

Em algumas Igrejas já está acontecendo de maneira organizada uma pastoral de escuta, que tem oferecido um espaço para todas as pessoas que precisam sentir-se escutadas. Acredito que a Pastoral da Escuta hoje é uma resposta ao chamado da Igreja para este tempo presente.

Como família Agostiniana somos convidados ainda a lembrar que o mesmo Santo Agostinho foi alguém que teve sua vida transformada pela escuta e acompanhamento que lhe ofereceu o Bispo Ambrósio, por exemplo. Evidentemente nosso desafio é oferecer um serviço de escuta pastoral reconhecendo seu objetivo e seus limites, sem confundir com terapia psicológica que demanda o profissional adequado e capacitado para tal.

Espero que essas pequenas linhas nos animem a pelo menos tomar consciência da importância não só de escutar ou acompanhar a outros, mas também de buscar quem nos escute quando a vida se torna mais pesada. Nem sempre somos suficientemente fortes como gostaríamos ou nos exigem. Pedir ajuda é uma atitude de humildade.

Deus abençoe! Coragem!

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